ALBORADA - SAYRI ÑAN

3.13.2011

O RELÓGIO DO SOL E A VOLTA DA LUZ


Estamos vivendo, de acordo com a concepção incaica de períodos, ou eras, o Quinto Sol. Cada um desses sóis tem a duração de mil anos, subdivididos, cada um deles, em dois períodos de quinhentos anos. O ponto que divide esses períodos se chama Pachacuti - palavra que expressa a idéia de transformação mundial ou cataclisma. Acredita-se que já existiram nove Pachacuti anteriores e que estamos vivendo o de número dez, ou seja, o último.


Para que se cumprisse a profecia, o Intihuatana, relógio solar, deveria ser quebrado. O que parecia impossível, (Machu Picchu é Patrimônio da Humanidade e, como tal, muito protegido e vigiado), no entanto, aconteceu.
Quando a sentença foi lida, revelando frágeis condenações aos implicados, os humanos sentiram-se lesados, mas o desígnio divino da profecía, apenas, fez atenuar a condenação dos que haviam se tornado instrumento para que ela se cumprisse.


Do que eu estou falando?


Em setembro do ano 2000, enquanto se filmava um comercial de cerveja em Machu Picchu, o braço da grúa mecânica que sustentava uma cadeira giratória, de onde um operador de câmera filmava a cidadela, se desprendeu, violentamente, e rompeu um vértice da pedra, provocando a fragmentação de um dos cantos do relógio solar (Intihuatana).
O INC (Instituto Nacional de Cultura) de Cusco havia autorizado a filmagem, com um pagamento prévio de 750 sóis (moeda peruana), conforme estabelece o "Texto Único de Procedimientos Administrativos" (TUPA). A agência responsável pela gravação se comprometera a não estragar, nem sujar, o Patrimônio Cultural.


A produtora Cecilia Castillo Pretell e o diretor Eddy Romero Pascua, denunciados pelo delito contra o Patrimônio Cultural, na modalidade de destruição e alteração do Patrimônio, foram sentenciados com uma pena de quatro anos, transformados em três (pelo que ninguém iria para a prisão).


O ex-diretor do Instituto Nacional de Cultura (INC) de Cusco, Gustavo Manrique Villalobos, que havia dado a autorização para que se filmasse a publicidade no lugar, foi sentenciado a três anos, enquanto o ex-diretor do Parque Arqueológico de Machu Picchu, Héctor Walde Salazar, foi absolvido.


E onde se encaixa a profecia?


A profecia Inca de Pachacuti se refere ao momento em que, com a morte do Inca Huayna Capac, filho de Túpac Yupanqui e membro da Panaca (clan) dos “Amaru” ou “serpente” (pai de Huascar e Atahualpa), iniciou-se 500 anos de purificação para o planeta. Isto significava que a luz desaparecería, junto com o Inca, que era "Intipchurin"( filho do Sol), mergulhando o império na escuridão e poderosas trevas; e que esta (a luz) tornaria a aparecer, quinhentos anos depois, quando o último "Intihuatana" (relógio solar) fosse destruído. Isso porque Intihuatana era o lugar de onde não só se faziam observacções astronômicas mas, literalmente, alí "amarrava-se o Sol". Rompê-lo sería como liberar o tempo, definitivamente (talvez o tempo alternativo ao qual está sujeito nosso planeta); mas, sobretudo, sería liberado o que havía ficado amarrado, ou oculto, por cinco séculos. Daí relacionarmos Machu Picchu e o acidente causado pelos que faziam a filmagem do comercial de cerveja pois, trata-se do último Intihuatana, ou relógio solar, que não havia sido tocado pela ganância espanhola ou pela insanidade de seus católicos à cata de objetos de idolatria para destruir (a cidade de Machu Picchu foi descoberta, apenas, em 1911, por Hiram Bingham, arqueólogo da Universidade de Yale) . À cidadela nunca chegaram os espanhóis.


O relógio solar quebrado marcou a hora da volta do Inca, trazendo, de volta, a luz e um novo tempo, de reconstrução...